Escalda-pés

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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Mahasamadhi

Nessa semana estivemos juntos com o pessoal do Jai Vida em um Satsang homenageando e invocando a presença de Swami Satchidananda em nossas vidas. Há 10 anos ele entrou em mahasamadhi, o que significa que ao desencarnar se entregou à uma grande meditação. Foi um momento especial no qual cantamos mantras e vimos um vídeo do Satsang realizado em Yogaville, Virginia, no dia 19 de agosto desse ano. 

 

 Mahasamadhi

Sri Swami Satchidananda entrou em Mahasamadhi no dia 19 de agosto de 2002, no sul da Índia. Um pouco antes de deixar o corpo, ele contou à algumas pessoas: "Eu sempre estarei com vocês em espírito. Mesmo que meu corpo não esteja aqui, vocês nunca estarão sem mim." (traduzido de http://www.yogaville.org/about-us/swami-satchidananda/)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Arte de viver

Nesse fim de semana que estive em São Paulo, participei de um lindo curso chamado Arte de viver na companhia de meu pai.
O curso foi idealizado pelo indiano Sri Sri Ravi Shankar há 30 anos, um líder humanitário e espiritual que dedica sua vida à restaurar os valores humanos, eliminar o estresse e a violência da sociedade, através do fortalecimento do indivíduo. A Ong atua em diversos países e vem ensinando as pessoas a respirar melhor, controlar suas emoções, perceber os momentos bons da vida!!
Para saber mais entre no site http://www.artedeviver.org.br

A minha intenção era levar meu pai para que ele despertasse para uma vida mais saudável e tranquila. E tivemos ótimos resultados. Ele mesmo diz ser uma NOVA pessoa!!!
Sou grata por essa oportunidade. Respirar, meditar, aprender. Embora seja uma linha de Yoga diferente da que eu pratico, senti que me acrescentou muitas coisas boas. Muito bom para fortalecer minha sadhana Hatha Yoga Integral.
No curso aprendemos a praticar O Sudarshan Kriya® que é uma técnica única de respiração, baseada em ritmos específicos de respiração, ensinada nos programas da Fundação Arte de Viver. 
Não duvido de sua eficácia, mas como adoro experiências...Me proponho a praticá-la por 40 dias e comprovar os resultados. Em breve relato mais.
Om Shanti, Shanti, Shanti.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Vipassana

 Vipassana que significa ver as coisas como realmente são, é uma das mais antigas técnicas de meditação da Índia. Era ensinada na Índia há mais de 2500 anos como um remédio universal para males universais.

 Meu Vipassana
Antes de engravidar do meu filho eu realizei um sonho antigo de participar do Vipassana.
  Até parece que foi em outra vida, pois faz tanto tempo e eu era tão diferente do que sou agora. Quando morava em Edinbrugh na Esócia, em 2004, fui à um pequeni festival chamado 'Tree festival'. Foi um evento simples e super interessante para mim. Foi logo no começo da minha temporada na Europa, e até então nunca tinha visto algo tão alternativo e colorido!! Haviam algumas barracas com informativos de projetos e uma tenda com palestras e shows (alias, eu já amava reggae, mas foi nesse dia que me apaixonei pelo som DUB de uma bandinha local). Uma da barraquinhas era uma divulgação do Vipassana Meditation. Sim...foi dessa maneira que conheci o Vipassana. Quando alguem pergunta eu simplifico e digo: ah..conheci na Europa!! Mas confesso que a história que foi vivida de verdade é muito mais interessante do que contada.

Quando vi o cartãozinho deles, pedi algumas informações e tive certeza de que um dia eu faria essa meditação. Guardei o cartão por anos, quer ver... de 2004 até 2009. Fiquei encantada com a possibilidade de aprender a meditar e melhor ainda pagando o que eu pudesse pagar, como uma doação. Pelos desvios de rota da minha viagem que ainda duraria 9 meses, e acredito que por MEDO de entrar em contato comigo mesma, adiei adiei... até que voltei pro Brasil e continuei adiando, mas sempre com uma sensação de culpa por não ter realizado esse meu objetivo. Vale uma pasusa para dizer que A culpa atrapalha muito a vida dagente. O grandeChico Xavier disse assim: "Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim."

Bom... já quase concluindo o curso de Biologia e de instrutora de Hatha Yoga, soube de uns amigos  que tinham feito Vipassana em algum lugar da America Latina e que estavam muito felizes. Foi uma visita deles em minha casa que despertou em mim a vontade de realizar esse sonho engavetado. Eu animei de novo. Me casei em setembro de 2009, e na nossa lua de mel, dei de presente para mim e meu marido, a inscrição no Vipassana. Pois bem, o nosso curso aconteceu do dia 31 de dezembro de 2009 à 10 de janeiro de 2010.

Por ser uma experiência vasta, pessoal e única... posso compartilhar poucas coisas. Quero falar das minhas impressões sobre o silêncio! 10 dias de silêncio!!

As mulheres e os homens ficavam separados. É muito interessantes como nós mulheres conseguimos nos organizar bem, manter o banheiro em ordem, a limpeza do local. E o mais incrível é que foi tudo feito em silêncio. Até quando me uni a um grupo na missão de tirar um sapão de dentro do dormitório feminino.
 No penúltimo dia tivemos uma surpresa,: O silêncio seria quebrado, com a mesma rotina de meditação claro. Esse dia foi importante para mim...pois quebrei um monte de preconceitos em relação as pessoas.
Aprendizado 1: O nosso normal era cruzar uns pelos outros com a cabeça baixa (sem sorrisinhos)e em silêncio, isso as vezes me dava a impressão de que o 'santo não bate' . E por fim, quando fomos liberados e conversamos, pude ver como julguei mal algumas pessoas.
Foi tão bom conversar com meu marido depois de tantos dias vendo-o de longinho, mandando um sorriso discreto para mim, e eu tendo que me segurar para não correr e abraçá-lo(isso foi sofrido para mim).
Aprendizado 2: Mas nesse dia também aprendi que o silêncio é harmonia!!!  Algumas mulheres que se esforçaram demais para ficar caladas não conseguiam mais fechar a boca de jeito nenhum...Uma mandando na outra e a arrumação do banheiro parecia um galinheiro... Foi engraçadíssim.Percebi que no silêncio tudo fluia melhor, incrível. Até a meditação era mais fácil quando estavamos em silêncio
Aprendizado3: Percebi que no dia a dia não seria tão fácil praticar a meditação!!Mas vamos lá!!

Bom... Eu indico essa experiência para quem quer se enchergar melhor.
São os momentos dificeis e prazerosos que acontecem durante às meditações e também durante as atividades corriqueiras como escovar os dentes, comer, lavar o banheiro, arrumar a cama, pentear o cabelo, etc.  É a observação constante da impermanência de tudo na vida, tanto das coisas materiais como sensações, pensamentos, sentimentos.
Prazer e dor vem e vão.
É a montanha russa da vida, sendo observada em 10 dias de imersão, de silêncio, de contato com o próprio ser e com a natureza.
Sou eternamente grata por essa oportunidade na minha vida. Toda a vivência contribuiu para o resgate do Sagrado dentro de mim. Sou grata aos voluntários do Dhamma Santi, localizado em Miguel Pereira, RJ.
Para mais informações e agenda visite o site do Centro de Meditação Vipassana

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Diwali da Índia para Lavras



DIWALI

Diwali é o festival de luzes que ocorre na Índia na Lua Nova, na noite mais escura de outubro. Marca uma transição entre o Irreal e o Real, a escuridão para Luz, o medo da morte para a sabedoria da imortalidade. De alguma maneira, aqui no hemisfério sul do Ocidente sentimos a força da renovação, vindo junto com a força da primavera. Momento oportuno para deixar para trás o que não é mais necessário e desabrochar o belo dentro de nós! Jai Lakshmi!
Não sabiamos conscientemente sobre o Diwali, mas como através da Luz do Yoga estamos sintonizados com a Mãe Índia...  aconteceu que no dia 22 de outubro, o grupo de Yoga de Lavras, o mais recente Centro de Hatha Yoga Integral Sacthidananda, estivemos unidos realizando um PUJA para a luz. Foi um momento belo e renovador para nós.
 
O Diwali (também transcrito do Deepavali ou Deepawali) é uma festa religiosa hindu, conhecida também como o festival das luzes. Durante o Diwali, celebrado uma vez ao ano, as pessoas estreiam roupas novas, dividem doces e lançam fogo de artifício. Este festival celebra o assassinato de Narakasura, o que converte o Diwali num evento religioso que simboliza a destruição das forças do mal.
O Diwali é um grande feriado indiano, e um importante festival para o hinduísmo, o sikhismo, o budismo e o jainismo. Muitas lendas são associados a Diwali. O feriado é atualmente comemorado pelos hindus, sikhs e jains em todo o mundo como o festival das luzes, onde as luzes ou lâmpadas significam a vitória do bem sobre o mal dentro de cada ser humano. Diwali é comemorado no primeiro dia do mês lunar Kartika, que ocorre no mês de outubro ou novembro.
Em muitas partes da Índia, é o Baile do Rei Rama de Ayodhya,que após 14 anos de exílio na floresta derrotou o mal Ravana. O povo de Ayodhya (a capital do seu reino) congratulou-se com Rama por iluminação em fileiras (avali) das lâmpadas (Deepa), dando assim o seu nome: Deepavali. Esta palavra, em devido tempo, se tornou Diwali em hindi. Mas, no sul indiano em algumas línguas, a palavra não sofreu qualquer alteração e, portanto, o festival é chamado Deepavali no sul da Índia. Existem várias observâncias do feriado em toda a Índia.
O Jainismo Diwali é marcado como o nirvana do Lord Mahavira, que ocorreu em 15 de outubro, 527 aC.
Entre os sikhs, o Diwali veio a ter significado especial a partir do dia ao qual houve o retorno a cidade de Amritsar do iluminado Guru Hargobind (1595-1644), que havia sido detido no Forte em Gwalior sob as ordens do imperador Mughal, Jahangir (1570-1627). Como o sexto Guru (professor), do Sikhismo, Guru Hargobind Ji, foi libertado da prisão - juntamente com 53 hindus Kings (que eram mantidos como prisioneiros políticos) a quem o Guru havia organizado sua libertação. Após a sua libertação ele foi para o Darbar Sahib (Templo Dourado) na cidade santa de Amritsar, onde foi saudado pelo povo com tamanha felicidade que acenderam velas e diyas para cumprimentar o Guru. Devido a isto, sikhs referem frequentemente que Diwali também como BANDI Chhorh Divas - "o dia da libertação dos detidos".
O festival também é comemorado pelos budistas do Nepal, especialmente os Newar budistas.
Na Índia, o Diwali é hoje considerado um festival nacional quanto ao aspecto estético, entretanto, é usufruído pelos hindus, independentemente da fé.
fonte: wikipedia

domingo, 23 de outubro de 2011

Hatha Yoga Integral Yantra


Sempre admirei o Yantra...mas só recentemente, com a explicação de S. Ramananda, tive a oportunidade de compreender o que significa cada um dos simbolos. Então resolvi escrever  uma tradução simplificada para aqueles que também tem a vontade de conhecer o significado por trás desta bela mandala, que acalma, limpa e simplifica meu coração. Procurando na internet achei o link do texto original no site do Instituto de NY.

Todo Yantra é uma materialização do Divino, ou uma representação material da Energia Criadora.Cada parte do Yantra do Hatha Yoga Integral representa um aspecto do Cosmos. De acordo com a filosofia yogui, Deus, ou a Consciencia Cósmica é originalmente uma energia não manifesta. A primeira manifestação Divina é uma vibração sonora. A Bíblia explica isso dizendo: "E no começo era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus".  Aqui, verbo significa Som. Como a primeira manifestação de Deus é o Som, e este nós não conseguimos ver, apenas sentir; então, o Som é representado no Yantra como um ponto, a primeira expressão física que conseguimos ver. Como não conseguimos ver a olho nu a menor particula material existente, no Yantra esta partícula é representada por um ponto, também chamado em sanscrito de Bindhu.
O próximo elemento são três circulos ao redor do Bindhu, os quais representam os trÊs gunas, ou três qualidades da natureza: Sattva (equilíbrio), Rajas (atividade) e Tamas (inércia). Dentro da filosofia do Yoga, tudo é manifestado pela combinação dos três gunas e toda a variação de manifestações na Natureza é a variação na combinação dessas qualidades. Então podemos ver o hexágono ao redor dos três circulos, o qual representa a forma física do cristal e de qualquer outra manifestação física, sendo também por isso que o Yantra tem seis triângulos.Os seis triangulos representam os cinco sentidos e a mente que é o sexto. Por sua vez, esses seis triângulos são uma combinação de dois triângulos maiores representando a dualidade. Um aponta para baixo, representado o aspecto feminino e negativo, e o outro triângulo aponta para cima representando o aspecto masculino e positivo. Este conceito em sanscrito é chamado Siva-Shakti, a qual representa o equilíbrio. É a combinação perfeita dos dois aspectos, não havendo superioridade ou inferioridade entre eles. Para cada lado que você virar o Yantra eles estarão do mesmo jeito. Em seguida vemos as lindas pétalas de lótus, o que representam a manifestação do amor. Outra maneira de explicar as pétalas é que as oito pétalas representam os oito elementos sutis, enquanto as 16 pétalas ao redor representam os 16 elementos físicos (há uma explicação mais profunda para isso). Os três círculos grandes ao redor, simbolizam como esses elementos se manifestam e se distribuem no corpo causal, astral e físico. Mas mesmo isso não é limitado, pois a manifestação Divina é ilimitada, e é por isso que as quatro pontas de um quadrado estão presentes no Yantra representando o infinito da Criação. As doze pétalas maiores representam as diferentes religiões e a aceitação das diferentes fés. S. Satchidananda dizia: "A verdade é uma, os caminhos são muitos". Em sentido horário a partir do círculo vazio: 1-religiões ainda não conhecidas, 2-Judaismo, 3-Xintoismo, 4-Taoismo, 5-Budismo, 6-Cristianismo, 7- Islamismo, 8-Siquismo, 9- Fés africanas, 10- Fés nativas da América, 11-Outras fés e religiões já conhecidas, mas pouco divulgadas.

 Namastê

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Rama e Sita

 
Rama e Sita são personagens da epopéia indiana Ramayana. Aqui está a versão da estorinha contada para crianças por João Soares... para entender quem são Rama e Sita e qual ensinamento trazem para nós
 
Conta a história, que o bondoso príncipe Rama e sua bela esposa Sita, foram morar na floresta.
Um dia Sita viu um pequeno veadinho ferido por uma flecha e – com o coração apertado – pediu a Rama que o salvasse. Ele sabia dos perigos daquela imensa floresta e, por isso, antes de sair atrás do animalzinho, traçou ao redor da amada um círculo de proteção, aconselhando-a a não sair do traçado no chão.


Pouco tempo após a saída do príncipe, surgiu um velho mendigo pedindo alimento a Sita. Compadecida, ela - que tinha o coração amoroso - ofertou ao velhinho frutas e arroz. Quanto esse se aproximou para pegar, o círculo mágico desenhado por Rama empurrou-o para longe. Tentando se levantar do chão, o velho pediu que a própria Sita lhe trouxesse a comida. A bela princesa nem imaginou que aquele homem oferecesse algum risco e saiu do círculo. Rapidamente o velhinho transformou-se no terrível Ravana - o demônio de dez cabeças! - que, montado em um enorme pássaro, voou para longe levando a princesa.
Ravana tinha a intenção de convencer a princesa Sita a se casar com ele e, por isso a prendeu no alto de uma torre.
Quando Rama, chegou trazendo o animalzinho ferido, logo percebeu o que tinha acontecido... Para ajudar o príncipe Rama, prontificou-se o seu fiel amigo: Hanuman, o deus macaco. Hanuman era filho de Vaio, o vento, e por isso possuía grandes poderes! Pronunciando algumas palavras mágicas, ele cresceu até sua cabeça encostar no céu. Ficou tão grande que em um só pulo chegou à ilha de Sri Lanka, lugar onde morava o demônio de dez cabeças.
Hanuman, além de conseguir informações sobre a princesa, entregou a ela um bracelete de Rama, para que ficasse descansada e esperasse o socorro de seu príncipe.
Ao voltar, Hanuman contou a Rama que sua princesa estava bem, mas que o exército de Ravana contava com com milhares de soldados e com o enorme gigante, irmão de Ravana! Assim foi que, para ajudar, Hanuman convocou seu exército de macacos e ursos e todos partiram com Rama.
Chegaram enfim ao imenso mar que precisava ser atravessado para chegar a Sri Lanka. Rama, com sua sabedoria, debruçou-se no mar e pediu-o para que secasse, a fim de que pudesse atravessar com todo o seu exército. O deus do mar disse que isso ele não poderia fazer: muitas vidas que nele habitavam seriam destruídas! No entanto, aconselhou Rama a jogar pedras sobre o mar...
Assim foi feito... Quando os macacos e ursos jogavam as pedras, eles recitavam com tanto amor o nome de Rama que as pedras começaram a flutuar. Em pouco tempo, havia sobre o mar uma imensa ponte, por onde todos atravessaram.
Em uma corajosa batalha, Rama venceu o gigante!
Enlouquecido com a morte do irmão, Ravana atirava sem parar flechas sobre Rama que, em um momento de distração, foi atingido em seu coração e ele caiu morto!
O exército ainda lutava, mas Ravana sabia que, sem Rama, isso continuaria por muito pouco tempo...
De repente, aconteceu o milagre da gratidão!!!
O veado que Rama havia salvo se aproximou dele e, de seus olhos, uma lágrima caiu bem em cima de um dos olhos de Rama. Em seguida, o pequeno animal caiu morto: com esse gesto, ele deu sua própria vida a Rama que, rapidamente levantou-se e, acertou uma imensa flecha no coração de Ravana que teve o seu fim.
Rama, enterrou com muitas honras o pequeno animal, aquele que lhe dera a própria vida!
Depois disso, salvou sua princesa que, cheia de alegria, voltou com ele para a floresta.
Contam os antigos, que quando se tornou rei, Rama governou com a mais perfeita justiça, sendo por todos, muito amado!
Fonte: Texto de João Soares. Muito legal!!!!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Yoga, perdão e paz com S. Ramananda

Truth is one, path are many...
Swami Satchidananda


YOGA, PERDÃO e PAZ com Swami Ramananda 
na Capela Ecumênica da Universidade Federal de Lavras, MG.
setembro de 2011

Nesta mesma capela, há mais de dez anos, acontece o projeto 'Yoga na Universidade', onde são ministradas aulas gratuitas por alunos voluntários do professor de Hatha Yoga Integral, Atman de Lavras.
Namaste!!







quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mother Maya on Mission


Living Ahimsa é um poderoso mantra em nossa era. O Cultivo de harmonia em nossos pensamentos, palavras e ações. Mother Maya tem viajado ao redor do mundo levando esta mensagem e recentemente ela esteve no Brasil. Juntos cantamos o mantra: I take The Vow of Ahimsa (Eu assumo o voto de Ahimsa).Acredita-se que o voto coletivo de Ahimsa tem um profundo impacto no cosmos. Ahimsa é a não-violência, é dar atenção aos pensamentos, palavras e ações, para que estes sejam benéficos para todos os seres vivos.
Grata Mother Maya

I take the vow of Ahimsa
I take the inner hamony as my firt priority
In my thougths, speech and actions

domingo, 29 de maio de 2011

Flor de lótus

A Nymphaea lotus (também conhecida por nenúfar branco, lótus branco ou lótus-do-egipto), é uma planta aquática com flor pertencente à família Nymphaeaceae. É natural do leste de África e Sudeste asiático, onde tem preferência por águas paradas, límpidas, mornas e ligeiramente ácidas. A sua flor branca, por vezes tingida de rosa, é conhecida por abrir durante a noite e fechar de manhã, mantendo-se assim até ao anoitecer.

Na Índia, a imagem da flor está relacionada à criação do universo. Repare nas gravuras indianas, os deuses costumam aparecer sentados ou em pé sobre a flor, como é o caso das representações de Ganesha, Lakshmi e Shiva. A posição de Lótus, a pessoa se senta com as pernas cruzadas e entrelaçadas, mantendo a coluna ereta e as mãos pousadas sobre os joelhos, o que permite o Prana (energia vital) circular pelo corpo.
É simbolica pois assim como esta flor emerge do fundo lodoso de uma lago à superfície... desabrochando toda sua beleza...nós podemos, a partir de uma situação difícil, turva ou confusa em nossas vidas... desabrochar todo nosso amor e beleza!!
Namastê!


Japa Mala feito de contas de Nossa Senhora.

 
Eu poderia dizer, assim como diz uma parte do povo, que as contas de Nossa Senhora  são uma praga aqui nos quintais do sul de Minas Gerais. Mas na verdade são bem mais interessantes! Realmente aqui no nosso quintal, nesta época das águas, brotou bastaaante delas. Eu não sabia de seu uso medicinal, nem ainda nunca usei para tal fim. Caso queira saber mais veja no site: http://www.plantasquecuram.com.br

A estória dessas contas foi a seguinte:
Um belo dia, manejando o quintal, meu marido resolveu catar as contas secas com a intenção de fazer um japa mala. Pausa. O japa mala é como se fosse um terço para os hindus com 108 contas, que o usam para cantar mantras e orar. Japa Yoga é o Yoga  da repetição de mantras que visa gerar estabilidade na consciência, sendo uma maneira para alcançar a meditação. Voltando. Quando ele achou que era suficiente, resolveu contar a quantidade que ele havia catado até então. E por uma providência, eram 108 contas.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Alice Coltrane

QUE SOM BOM!!!

Alice Coltrane

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Alice Coltrane, nascida Alice McLeod (Detroit, Michigan, 27 de agosto de 1937 - Los Angeles, Califórnia, 12 de janeiro de 2007), foi uma pianista, organista, harpista e compositora de jazz,. Era meia-irmã do baixista Ernie Farrow e mãe do saxofonista Ravi Coltrane.
Alice Coltrane estudou música clássica e teve lições de piano dadas por Bud Powell. Começou a actuar como intérprete de jazz em Detroit com o seu próprio trio e em dueto com Terry Pollard.
Entre 1962 e 1963 tocou com o quarteto de Terry Gibbs. Foi nessa época que conheceu John Coltrane, com quem viria a se casar em 1966 e de quem viria a ter três filhos, a juntar à filha que já tinha de um relacionamento anterior.
Depois da morte do marido continuou a tocar com os seus próprios grupos, caminhando cada vez mais para a música meditativa. Foi uma das poucas harpistas na história do jazz.
Na década de 1970 converteu-se ao Hinduísmo e adoptou o nome de Swamini Turiyasangitananda. Foi uma devota seguidora do guru indiano Sathya Sai Baba. Estabeleceu então o Vedantic Center, próximo de Malibu.
Na década de 1990 voltou a interessar-se pela carreira, realizando então a compilação "Astral Meditations", e em 2004 o seu álbum de regresso "Translinear Light". Na Primavera de 2006 fez três apresentações nos E.U.A. depois de uma interrupção de 35 anos.
Faleceu aos 69 anos, no West Hills Hospital and Medical Center nos subúrbios de Los Angeles, devido a uma paragem respiratória.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Importância pessoal 2

continua...


Individualidade e ego

O ego, eu individual é necessário para manter a integridade do ser. É uma referência para a identificação consigo mesmo, com a própria singularidade, originalidade, com seu próprio centro de equilíbrio e diferença em relação ao outro. No livro de Iyengar ele explica que na Índia, Asmita significa 'identidade', ou seja quando me identifico com minha identidade, isso é asmita. É o que expressa o dom da singularidade e da originalidade de cada ser. Se assemelha com ahamkara. A diferença é que ahamkara é esta mesma identificação com a identidade (asmita), porém agregada a apegos, realizações, êxitos, conquistas, lembranças, posses, desejos, experiências, opiniões e preconceitos.
É dito que o “eu” pode adoecer assim como o corpo e mente. Iyengar diz que a identidade pura (asmita) sucumbe à doença da elefantíase, e o “eu” se torna excessivamente inchado, grosseiro e doente. O que faz com que o ego “inche” é a própria mente em contato com o mundo externo. Uma boa prática para desinchar o ego, é estar mais voltado para si, não que devamos nos isolar do mundo e da vida cotidiana, mas sim peneirar o que ouvimos, falamos e nos comprometemos, sentimos e acumulamos na memória. A comunicação e a memória, devido ao contato com o mundo externo são as capacidades da mente que permitem ao ego acumular tantas experiências.


Categorias de pensamentos
Quando se classificam os pensamentos em categorias, fica mais fácil observar o fluxo da mente e identificar que tipos de pensamentos estão mais presentes em cada um de nós. Pensamentos que circundam o passado ou desejos para o futuro? Pensamentos controversos ou pensamentos que trazem uma resposta às perguntas pessoais? Com quais pensamentos devo me identificar? Em qual pensamento devo permanecer? Primeiramente é importante estar atento a como nossos pensamentos reagem ao mundo externo, e cuidar para que pensamentos confusos ou negativos não formem padrões arraigados que nos condenam a revivê-los em um ciclo vicioso.
Em momentos de silêncio, em práticas respiratórias (paranayamas) ou meditação, é fácil notar como os pensamentos vem e vão num fluxo as vezes bem rápido. Uma prática boa é sentar-se adequadamente num local tranquilo, manter o seu fluxo natural de respiração e assim observar os pensamentos, identificar sua natureza, se desapegar destes, simplesmente deixando-os ir , como se fizesse uma faxina em sua mente. Se sua mente estiver agitada, através desta prática, ela tende a acalmar, pois a medida que conhecemos a natureza dos pensamentos, é possível ver que alguns não merecem atenção e muito menos merecem que nos identifiquemos com eles, criando padrões. Nessa prática, acontece uma triagem natural e o que resta desta limpeza é o discernimento mais fortalecido.
Portanto posso dizer que meu objetivo não é aniquilar o ego em si, e simplesmente não me identificar exclusivamente com este tipo de pensamento. Acredito que um yogi deve primeiramente estudar e compreender o ego e os outros tipos de pensamentos. Com atenção, descobrir que não somos exclusivamente a falsa realidade absoluta do ego. Assim, fortalecendo o discernimento e a compreensão, enfraquecemos o ego. Na teoria é fácil de descrever, mas o que vale é na prática do dia a dia. Procuremos realizar a observação de cada um de nós sobre nossa própria complexidade, fazer um auto exame sobre nossas ações que são as extensões dos nossos pensamentos. Por enquanto estou nesse nível de existência, buscando aproveitar as oportunidades da vida e desatar os emaranhados que meu ego trama contra mim. Tudo é um ensinamento, e se temos o ego, que este nos ensine e não nos aprisione.

Bilbiografia
Iyengar, B. K. S. Luz na vida: a jornada da ioga para a totalidade, a paz interior e a liberdade suprema; tradução Silvana Vieira-São Paulo: Summus, 2007.
Satchidananda, Swami. Yoga Sutras de Patanjali/transcrito e comentado por S.S; tradução Galvão Mendes-Belo Horizonte, Gráfica e Editora Del Rey, 2000
Tattvabodhah -Sri Sankaracarya, Rio de Janeiro: Vidya-Mandir, 2007.122p

Importância pessoal 1

Durante o curso de Yoga em Lavras, uma das participantes, Ann perguntou sobre minha compreensão a respeito do ego. Respondi, baseada no que eu havia lido até então, mas eu mesma não me contentei com a resposta. Este texto é a união de minhas reflexões com uma compilação de informações a que tive acesso.

Don Juan diz: “A importância pessoal é o nosso maior inimigo...o que nos enfraquece é nos sentirmos ofendidos pelos feitos e pelas desfeitas de nossos semelhantes. Recomenda-se que todos os esforços devem ser feitos para erradicar a importância pessoal de nossas vidas” Neste trecho do livro O Fogo Interior de Carlos Castañeda me chamou a atenção o fato de que em diferentes linhas de estudos espirituais, o ego, ou como diz Don Juan, a importância pessoal deve perder suas forças dentro de nós. Mas a pergunta se aprofunda um pouco mais: É preciso aniquilar o ego?

O meu interesse no estudo de Raja Yoga, ou Yoga de oito partes, vem crescendo desde que conheci Os Sutras de Patanjali, o primeiro e mais importante escrito do Yoga.
A primeira vez que li um sutra, foi logo no início do curso de formação para intrutores de Yoga. Nunca me esquecerei. Em suma:
-O primeiro sutra diz: 'Atha Yoganusasanam' que significa 'Agora a exposição de Yoga está sendo feita'. O segundo sutra diz: 'YOGAS CITTA VRTTI NIRODAH' que significa 'O aquietamento das ondas mentais é Yoga'. Os seguintes sutras explicam o primeiro e o segundo.
Li a interpretação de Swami Satchidananda e em seguida tive acesso à interpretação de B.K. Iyengar e Sri Sankaracarya. Linhas distintas mas que para mim se agregaram na compreensão que até hoje alcancei a respeito do modo como a mente funciona.

Como funciona a mente

A soma total da mente é a consciência chamada de Chittam. Manas é a parte da mente que deseja, sendo a camada mais externa da consciência. Está relacionada diretamente com os orgãos de percepção, e através destes se conecta e sente a atração pelo mundo exterior. Buddhi é o intelecto, uma camada mais interna. É a inteligência ou a capacidade de discernir. Ahamkara é o ego, sendo a camada mais íntima da consciência. É o sentimento de “eu”. Sendo assim, a mente é a mesma que deseja alguma coisa, fica na dúvida se o que ela deseja é bom mesmo, decide se vale a pena realizar este desejo, e arquiva tanto o desejo como a realização do mesmo. Tudo isso acontece separadamente, mas é tão rápido que dificilmente distinguimos. Satchidananda em suas interpretações dos Sutras de Patanjali dá o seguinte exemplo:

“Um cheiro agradável vem da cozinha. No momento em que manas percebe, “Estou sentindo um cheiro agradável vindo de algum lugar”, buddhi raciocina, “Que cheiro é este? Acho que é queijo. Que bom! De que tipo? Suiço? Sim, é queijo suiço.” Assim, uma vez que buddhi decida, “Sim, é um delicioso pedaço de queijo suiço, como aquele saboreado na Suiça ano passado”, ahamkara diz, “Oh, então é isto? Então devo comer um pedaço agora”

Neste caso a mente deciciu que o pedaço de queijo deveria ser comido naquele momento. E a memória? A memória se apresentou quando existiu a dúvida: “Queijo suiço causa prazer ou dor?” E a prória memória buscou em seus arquivos e respondeu: “ Prazer!”. Então ahamkara (ego) decide por comer o pedaço de queijo. A mente, segundo Iyengar tem esta tendência: “repetir o prazer e evitar a dor”, e é devido a isso que evitamos colocar a mão no fogo, uma vez que já tenhamos sido queimados. Mas neste caso, se buddhi (discernimento) estivesse mais fortalecido e ahamkara (ego) menos fortalecido, a mente decidisse esperar uma hora mais apropriada para comer este pedaço de queijo.
No estudo de Vendanta manas, buddhi, ahamkara e também cittam, traduzido aqui como memória são pensamentos de tipos diferentes que constituem a mente como um todo (antahkaranam – instrumento interno). É dito que a natureza de manas (mente que deseja) é a oscilação entre Sankalpa e Vikalpa, dois pensamentos opostos que estão em constante mutação. A natureza de buddhi (intelecto) é a determinação, uma vez que é um tipo de pensamento de caráter decisivo. A natureza de ahamkara (ego) é a afirmação centrada no “eu”. Chittam é aqui traduzido como a memória, o arquivo das informações do passado, também uma forma de pensamento que apresenta oscilação em sua natureza.
Manas, buddhi e cittam são pensamentos que vão e vem, enquanto ahamkara está sempre presente, enquanto estamos acordados. Ele é um pensamento centralizador que referencia e comanda os outros pensamentos, relacionando-os com o “eu”. Desta maneira existe um ponto central que assume tudo o que experienciamos enquanto seres e assim surge o conceito de individualidade, o qual permite que nos relacionemos com os outros. Sobre esse assunto, Gloria Ariera no livro Tattvabodhah escreceu em suas interpretações:

“Fala-se na eliminação do ego, porém temos que entender o que isto significa. O problema relacionado ao ego (ahamkara) é acreditar que ele é o “eu” verdadeiro (Eu), enquanto ele é apenas um pensamento como os outros. Ele e os outros pensamentos têm uma natureza última que é a Consciência. Sua forma é de constante transformação. Quando entendemos a natureza aparente do ego, ele não mais nos dá problemas. Esta é a eliminação do ego. A eliminação da falsa realidade absoluta do ego”

continua...

Começo e recomeço-Surya Namaskara

 Surya Namaskara: um bom recomeço para a recuperaração pós-parto

   Depois do nascimento de meu filho, não tive rapidamente a facilidade para voltar às práticas de Yoga. É um momento de transição, de adaptação e de aprender na prática um tanto de atividades novas, assim que  nas primeiras semanas não encontrava uma forma para conciliar a maternidade com o Yoga. Pesquisei na literatura alguns roteiros básicos para pós-parto; pratiquei esporadicamente, me concentrando principalmente em pranayama (respiração), e aproveitando o momento de silêncio para orar, pedir e agradecer.  
   Mas ainda sentia que precisava de uma revitalização mais intensa para o corpo se recuperar das noites pouco dormidas, e me preparar pro que der e vier!! Então quando estava quase concluindo o resguardo de 40 dias, vi meu marido fazendo o Surya Namaskara e me deu vontade de fazer também. A partir deste momento, decidi me dedicar à essa prática diariamente. Descobri uma coisa e redescobri outra: 
   Descobri que o resguardo é um momento importante de ser vivido pela mãe. É um tempo de respeito ao ritmo de cada uma, de uma não cobrança em relação à sua disciplina na prática de Yoga. É tempo de renovar o útero, recuperar o corpo e aceitar o auxílio da mãe, do marido, da comadre ou de quem for. É tempo de reequilibrar os hormônios e as emoções. É tempo de compreender que o nascimento de um filho é também o renascimento de uma mulher.  É tempo de  aprender a servir, nutrir e cuidar da nova vida. É tempo de aprender à se amar para assim amar ao próximo como a ti mesmo. É tempo de cuidar e ser cuidada.
   Redescobri que para começar ou recomeçar qualquer prática de Yoga, no tempo certo, o Surya Namaskara é uma ótima opção. Sendo este uma série de asanas que proporciona um profundo alongamento e realinhamento do corpo, intensificando o seu metabolismo. Equilibra o fluxo da respiração e da energia vital  (Prana) nos centros de energia (chacras). Expande a região do chacra cardíaco (Anahata) permitindo a libertação de travas e o livre fluxo do amor, trazendo serenidade, paz e confiança.  O que mais, além de tranquilidade, paz, amor e confiança, precisamos para dar alimento, conforto e segurança aos nossos bebês?!?!?!
   Reverenciamos ao Sol, a essência que nos leva da escuridão à luz, o removedor de toda fraqueza e curador de toda doença, cultuado por tantas civilizações antigas. Reverenciamos o Sol, a luz que anuncia um novo dia e um novo ciclo. Podemos cultuar o Sol hoje, e revitalizar dentro de nós a força e a luz, neste momento de começo ou recomeço. 



quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Pensamentos e Deidades

No estudo de Vendanta manas, buddhi, ahamkara e também cittam, traduzido aqui como memória* são os diferentes tipos de pensamentos que constituem a mente como um todo (antahkaranam – instrumento interno). É dito que a natureza de manas (mente que deseja) é a oscilação entre dois pensamentos opostos que estão em constante mutação. A natureza de buddhi (intelecto) é a determinação, uma vez que é um tipo de pensamento de caráter decisivo. A natureza de ahamkara (ego) é a afirmação centrada no “eu”. Chittam é aqui traduzido como a memória, o arquivo das informações do passado, também uma forma de pensamento que apresenta oscilação em sua natureza. (Para compreender melhor os pensamentos, leia o texto A importância pessoal.
Cada pensamento está relacionado com uma deidade. Mas o que é deidade?
No meu primeiro estudo de Vedanta, através do livro Tattvabodhah de Sri Sankaracarya, traduzido e comentado por Glória Arieira, é dito que a visão de que existem diversos deuses para os Vedas é um engano. Existe um único Deus (Isvara), aquele que tudo governa, e diversas deidades (Devata), as quais representam aspectos ou determinadas funções em nossos corpos ou no Universo. A palavra devata significa deidade e se origina da raiz verbal div que quer dizer 'brilhar' (Arieira, 2006). Na cultura védica, Brahma, Shiva e Vishnu são três aspectos diferentes do mesmo Deus. Essas três representaçãoes formam o conhecido Trimurti e compoe o equilíbrio.
Cada um destes aspectos é responsável por cada uma das três maneiras com que age a natureza material: criação, preservação e destruição. Quando há criação, geração, procriação, Brahma é o responsável. Quando há estabilidade, manutenção, preservação, equilibrio, Visnu é o responsável. Quando há destruição, dissolução, desgaste, Siva é o responsável
A essência do microcosmos (ser humano) é a mesma do macrocosmos (Universo). Segundo Arieira, 2006, toda capacidade do nosso corpo é uma capacidade inerente ao universo e que também se manifesta no indivíduo. Assim Brahma, o Criador é a deidade que governa buddhi, sendo que buddhi (o intelecto) tem a capacidade de criar. Vasudeva (Visnu), o preservador, governa chittam, preservando as informações na memória. Rudra (Siva), o destruidor, governa ahamkara (o ego), uma vez que o ego deve ser destruido através do conhecimento do verdadeiro eu. A Lua é a deidade que governa manas, estando relacionada com sua característica de mudança de fases.
Para conseguirmos compreender o todo e assim nos relacionar com Deus, Ele é percebido e narrado em seus diversos aspectos . Dessa mesma maneira Bri Maya Tiwari fundadora da Wise Earth School, clínica ayurvédica e naturalista, na Carolina do Norte no traz em seu livro O caminho da prática, palavras da própria Mãe citada no livro medieval Shakta Advaita:

“Quem e o que eu realmente sou - uma consciência cósmica tão vasta que
posso manter sem esforço trilhões de universos na palma de minha mão -
está além da capacidade da mente humana de entender. Portanto,
imagine-me da forma que gostar mais, e prometo que virei até você
nesta forma.”

Assim como Deus, a Mãe Divina,  recebe diversos nomes em tantas culturas diferentes: Kali, Durga, Saraswati, Gaia, Afrodite, Virgem Maria, Iemanjá, etc... A Mãe Divina é uma, e todos esses nomes representam um aspecto ou função em nosso corpo ou Universo. Sempre quis compreender melhor quem é a Mãe Divina e foi quando li esta frase que pude compreender que a Mãe é aquela que gera, nutre e cuida. E que cada uma dessas manifestações traz uma caracteristica diferente, sendo que cabe a nós avaliar qual a característica que precisamos fortalecer, e dessa maneira nos conectar e pedir à nosso Pai ou à nossa Mãe, nos envolvendo com a energia do Divino da maneira que nos for mais familiar.


Bilbiografia
Tattvabodhah -Sri Sankaracarya, Rio de Janeiro: Vidya-Mandir, 2007.122p
O caminho da prática -Bri Maya Tiwari, Carolina do Norte: Wise Earth School
* No texto, A importância pessoal, podemos ver que, por outros autores, chittam pode significar o conjunto todo da mente.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Mulabandha e Muladhara

No 3º encontro do Curso básico, foi falado um tanto sobre Mula Bandha, por isso resolvi pesquisar e publicar os resultados:




Mula Bandha e Muladhara
Bandha significa contrair, segurar, reter, comprimir. Quando são realizadas, ocorre no nível físico, uma profunda massagem dos orgãos e glândulas internas. Já no nível energético, pode-se dizer que o “Prana”, ou energia vital é amarrado. Dessa maneira é possível trabalhar concentrados, retendo este Prana e dirigindo-o através dos canais energéticos (nadis) com o intuito de despertar a espiritualidade.
O Mula Bandha também recebe o nome de “fechadura do ânus” ou “fecho da raiz”. Pode ser explicado como a contração do ânus e dos orgãos genitais. Essa técnica contrai o assoalho pélvico e eleva a energia concentrada nesta região em direção ao centro do corpo. A energia a qual me refiro é a energia do centro Muladhara (primeiro chacra, chacra da base), localizada na base da espinha. Este é o centro de energia físico e dos instintos de sobrevivência. É a energia sexual. Se relaciona com a segurança, sobrevivência, confiança, lidar com o dinheiro, lar e trabalho, habilidade de estar enraizado, presente no tempo, facilidade em lidar com as mudanças. É uma ligação do ser humano com a Mãe Terra, o que permite que o ser humano se sinta bem enquanto encarnado. É representado pela cor vermelha, elemento terra, e no corpo tem ligação com as glândulas suprarenais, sistema linfático, glândula sexuais, pernas, pés e também com o nariz, sendo este um orgão de ação associado à sobrevivência.
Mula se refere à raiz de todas as ações, sendo esta raiz, os próprios pensamentos. Com o estímulo do chacra da base, a partir do Mula bandha, estimulamos um fluxo mais positivo de pensamentos e dessa maneira colocamos melhores intenções em nossas ações, nos tornando mais conscientes da união e sintonia entre nosso corpo e nossa mente. Assim a energia da base é canalizada para as ações corretas, sendo estas, sintetizadas dentro dos princípios do Yoga, denominados por Patanjali como Yamas e Niyamas. Vale destacar o yama Brahmacarya, no qual Patanjali nos ensina a canalizar a energia no sentido de despertar a compreensão do que é essencial, no caminho do Absoluto.
O estimulo do mula bandha no Muladhara chacra equilibra todas as funções relacionadas a este chacra e elimina qualquer nó ou impedimento energético nesta região. Com tudo isso, o corpo físico se torna mais leve, e a prática do mula bandha durante os asanas facilita os movimentos, tornando o esforço menor. Outros benefícios físicos do mula bandha são: Aumento da estabilidade, flexibilidade e da irrigação sanguínea da musculatura pélvica. Aumento da potência sexual. Mantém o equilíbrio hormonal. Tonifica os intestinos e o baixo abdômen. Cria uma melhor base para os movimentos respiratórios.
Com o estímulo de mula bandha durante os asanas, a energia localizada em Muladhara chacra não é disperdiçada. E sim, canalizada, movendo-se de fora para dentro, de baixo para cima, da Mãe Terra para o Céu, da inconsciência para a consciência, sendo este o sentido da transcendência, iluminação, libertação.
Por: Ana Cristina Rodrigues Torres